O DIDI DO ALMOXARIFADO
Na Serra do Navio e julgo que em boa parte do Brasil, os apelidos (alcunhas, em Portugal) postos às pessoas, não têm carácter ofensivo, como aqui às vezes acontece.
Havia em Santana um funcionário do Departamento de Relações Industriais, por onde passavam os admitidos antes de seguirem para a Serra do Navio, que tinha o hábito de os baptizar e informar o destino, do apelido aplicado. Era assim um tanto para o forte e bonacheirão, mas não me lembro do nome dele.
Mas é do Didi que quero falar.
Já não era nenhum jovem, usava a barba sempre um tanto crescida e trabalhava como motorista dum caminhão do Almoxarifado.Era um tanto perigoso nas marchas à ré pois nunca olhava para trás.
Um dia, ao chegar a Santana, depois dum longo e animado papo com um visitante que me pareceu ser pessoa dum certo status, ao despedirem-se, este ofereceu os seus préstimos e o seu endereço ao nosso homem. Este agradeceu e retribuiu dando-lhe também o seu nome e endereço mas, pensando melhor, corrigiu:
Pode escrever para DIDI, DIDI DO ALMOXARIFADO, Serra do Navio.
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