domingo, 28 de setembro de 2008

A Bicharada - Murta

O TATU

Nos princípios de 1976 chegamos à Serra do Navio e fomos viver numa casa DD. Na mesma rua moravam com as respectivas famílias, se a memória me não falha, e por ordem, a partir do lado do CCH, o Chefe da Segurança, de que me não lembro o nome, o Carmichel, nós, o Pedro Soriano, o Noémio e o Jorge Índio. Depois era a vez da floresta. Em frente, no outro lado da rua, ficava o edifício de alojamento dos solteiros.

Uma noite, estava eu sentado na varanda quando vi um estranho bicho, meio coelho, meio tartaruga, se aproximando de mim. Fiquei naturalmente intrigado e levantei-me para observar melhor o animal, que tinha um tamanho respeitável. Este resolveu então virar as costas e voltar para o mato donde viera. Era um TATU! Foi o nosso primeiro contacto com os habitantes da floresta.

A JIBOIA

Um dia apareceu-nos lá em casa uma mulher da região perguntando se queríamos comprar uma jibóia.

Jibóia? Perguntamos nós, não acreditando no que ouvíramos. Jibóia? Nem dada. Mas para que diabo  quereríamos nós uma cobra? Então a mulher levantou a tampa do cesto que transportava e mostrou-nos o seu conteúdo. De facto era uma jibóia Claro que agradecemos, cá dentro pedindo a todos os Santinhos para que a vendedora rapidamente se"escafedesse" dali.

No entanto, antes da mulher se retirar, perguntei-lhe para que é que a cobra nos serviria. Não me lembro bem da resposta mas julgo que era para servir de companhia e para caçar ratos.

Vim a saber que isso era normal e vi até uma foto dum rapaz que trabalhava comigo na abertura do túnel de pesquisa na F12, montado numa bicicleta acompanhado dum bichinho destes enrolado no quadro.

Acho que a mulher se dirigiu para a casa do Pedro Soriano, mas parece-me que não fez negócio.

Para aquela boa gente, Deus com certeza não excomungou a cobra…

V.B.Murta (MTA) - Nov.2007-Loulé-Portugal

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