sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Leishimaniose - Murta

A LEISHIMANIOSE

Ou "LECHIMÂNIA", como é chamada lá no Amapá, manifesta-se por uma ou mais chagas, em carne viva, localizadas na pele dos "contemplados". Parece que é causada pela picada dum pequeno "carapanã", especialmente à tardinha, na época das chuvas.

Lembro-me de dois casos que eram para mim, que nunca tinha visto uma coisa daquelas, muito impressionantes _ numa ou nas duas pernas do Sr.Nadir, que era o chefe da Casa de Força de SNV e outras nas costas da esposa do Estrela, topógrafo, também em SNV.

A minha mulher bem me dizia para perder aquela mania de ficar sentado na varanda, à tardinha, se não queria apanhar uma picada e contrair aquela doença,

Bem, como estas coisas só acontecem aos outros, nunca liguei aos conselhos, até que chegou a minha vez. Apareceu-me uma pequena borbulha na parte de dentro do pulso do braço direito, coisa insignificante

Como a feridinha não andava nem desandava, comecei a ficar desconfiado e resolvi ir ao médico. Feita a análise, lá veio a desagradável notícia.

Apanhei primeiro uma injecção no traseiro, assim do tipo de creme de abacate, e por isso muito bem designada por "abacatada".Gente, aquilo não é fácil _ dá dores, febre e derreia o mais forte. Mas suportei aquela dose sem faltar ao serviço.(Claro que isto não é para me gabar….bem entendido).

Depois, durante uns seis meses, todas as tardes ia ao Hospital apanhar uma injecção nas veias. Não era "pêra doce", mas o pior é que durante esse período não bebi nada com álcool, nem uma cervejinha, nem vinho às refeições, nada mesmo Não foi fácil, mas como eu me queria curar, aguentei o rojão.

A feridinha continuava exactamente na mesma, até que um dia me lembrei de perguntar ao Estrela como é que a esposa dele se tinha curado. Disse-me que foi com óleo de Andiroba (ou de Copaíba, não me lembro bem).

Então, todas as manhãs aquecia, no fogão a gás, uma colher de óleo e aplicava-o, com uma cotonete, sobre a ferida.Curioso é que só sentia assim como uma picada de alfinete, embora o óleo estivesse a ferver.

Ao fim duns oito dias estava curado e praticamente sem se notar nada no pulso.

Das duas uma, ou este remédio é milagroso ou estava na hora de me curar. Mas eu acho que a Ciência deve estudar mais a sério estes medicamentos dos Caboclos.

V.B.Murta (MTA)

Dez.2997-Loulé-Portugal

P.S._ Parece que o Sr. Nadir se curou com leite de mamão verde. 

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