domingo, 28 de setembro de 2008

Fartura do CCH - Gilson Cheble

Brito e Martel eram dois garçons do CCH de Santana no Amapá. O Brito era um torcedor fanático do Flamengo. Ele sabia mais do Flamengo do que eu que também era flamenguista e vinha do Rio de Janeiro. O Brito era falante. O Martel mais calado.
Quando fui para o Amapá estagiar em 1970, eu era de uma família muito humilde. Por isso mesmo, a oferta de comida na casa dos meus pais era muito simples.
Em Santana, eu fazia as refeições no CCH, pois morava no alojamento de solteiros. Uma coisa que chamava a nossa atenção era a fartura. Todo dia nós brincávamos muito com o Martel ou com o Brito, perguntando a eles o que tínhamos para o café da manhã. De forma sempre solícita, ambos repetiam: temos torradas simples, torradas quentes, misto frio, misto quente, ovos quentes, ovos fritos, ovos mexidos, ovos cozidos, ovos estrelados etc, etc. No almoço e jantar fazíamos pergunta semelhante e eles, da mesma forma e com muito bom humor, nos informavam a relação enorme de comida. A fartura era muita: no almoço sempre tinha uma sopa, um prato de salada e, no final, um prato principal.
É difícil para vocês entenderem o quanto aquele atendimento me deixava encantado? Eu era apenas um jovem estagiário. É por isso e por muitas outras coisas que o Grupo Caemi terá sempre um lugarzinho reservado no meu coração. 

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