O NASCIMENTO DO "PUSSINHO"
Faço anos na noite do Natal e no Amapá convidávamos os Amigos, que, felizmente eram muitos, para jantar conosco lá em casa.
Isto, parecendo que não, e com a devida vénia, vem a propósito de gatos.
Na Serra do Navio chegámos a ter onze, que eram bem tratados, mas que a minha mulher não deixava entrar em casa porque tinham o hábito de caminhar entre as pernas e que, por isso, mais de uma vez, ia caindo.Um dia até partiu todos os pratos que levava numa bandeja.
Porém, havia uma gata, grande, muito bonita, que gostava muito de se deitar atrás de mim enquanto eu, ao chegar a casa, me sentava para descalçar as botas de serviço. Conversava um pouco com ela, fazia-lhe umas festinhas e ela lá se ia embora.
Um dia a bichinha emprenhou e não é que pariu um só gatinho, exactamente nessa noite, na noite de Natal e do meu aniversário, lá fora, na varanda, sobre a almofada duma cadeira espreguiçadeira?
Na manhã seguinte, a minha mulher chamou-me para ver uma linda cena: A jovem Mãe, protegendo o filhinho e olhando para nós como a implorar que não os tirássemos dali. Não havia sujidade nenhuma e lá ficaram.
Este filhote, a quem demos o nome de Pussinho, dadas as circunstâncias, era o único gato que circulava livremente pela casa. Só não estava autorizado a ir para o colo da Severiana, que aliás fazia dele o que queria, inclusive enfiar-lhe comprimidos pela goela abaixo quando ele esteve doente.
A certa altura, ausentou-se durante alguns dias, o que não era habitual. Quando apareceu vinha um tanto triste e um dia, estando nós a ver televisão, saltou para o meu colo. Fiz-lhe umas festas e saltou em seguida para o colo da Severiana, olhando para ela com uma certa tristeza no olhar. Parecia até que se estava a despedir. Estranhamos, pois como disse, ele não estava autorizado a tomar aquela liberdade.
Depois, olhando para nós mais uma vez, lentamente saiu de casa e nunca mais soubemos do nosso Pussinho. Mas ficámos com muitas saudades dele.
V.B.Murta
Dez.2007-Loulé-Portugal
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