Certa vez chegou na usina um novo engenheiro de processo para trabalhar comigo chamado Fernando Rizzato (vulgo pitilique ou zeca diabo). Pitilique era o nome dado a um tipo de tucano da região amazônica. Desnecessário dizer o motivo do apelido.
Expliquei ao pitilique os trabalhos que fazíamos na usina e com o passar do tempo fui passando novas tarefas para ele. Uma delas era ir toda manhã até as pilhas de estocagem de produtos da usina para checar se não havia nenhuma anormalidade. As vezes, durante a noite, os operadores de caminhão costumavam jogar material em pilha errada (acredito que era por engano).
Assim, toda manhã o pitilique pegava a caminhonete da usina e fazia a inspeção das pilhas. Um dia, ao retornar, ele entrou na minha sala, levou as mãos a cabeça e disse: puta merda, quase que um caminhão fora-de-estrada passou em cima da caminhonete. Respondi o óbvio, pedindo para ele ter mais cuidado.
Passou mais alguns dias, o pitilique entrou na sala e repetiu a mesma história.
Quando inteirou a terceira vez, aí não agüentei e falei com ele: você nunca mais vai me falar isto. O máximo que eu vou aceitar vai ser uma outra pessoa entrar aqui na sala e me dizer: o caminhão acabou de passar em cima do pitilique.
Depois disto ele ainda trabalhou mais um bom tempo na usina e ninguém nunca me deu esta notícia.
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