Duas décadas depois de sair da Icomi,
voltei a trabalhar para uma empresa da CAEMI, a Cadam.
Em 2001, a minha
empresa, subcontratada da Progen Engenharia, foi desenvolver alguns trabalhos em Monte Dourado onde fiquei morando por 7 meses coordenando vários projetos para aumento da capacidade de produção, tais como: o segundo mineroduto, alterações na floculação seletiva, novo filtro rotativo.
Aos sábados, religiosamente, eu assistia à TV
Senado (aquele 0,001% do índice de audiência era eu...).
O então senador Artur
da Távola tinha um programa de concertos de musica erudita. Eu não perdia um. Às sete horas da manhã lá estava eu numa cadeira confortável que havia comprado,
fabricada artesanalmente em Monte Dourado.
O programa era escolhido por ele.
Gostei de todos que assisti, mas alguns foram memoráveis. Acreditem se quiser,
mas a versão do ballet Lago dos Cisnes atualizada para os tempos modernos, com
os dançarinos de fraque e cartola e as dançarinas com vestidos sensuais de noite, transformou aquela peça açucaradamente romântica em algo com um
erotismo explosivo, em particular as cenas com o Cisne Negro. Fiquei de queixo
caído, não acreditando no que via. Como foi possível transmitir tensão erótica
nesse ballet? Também com acentuada carga erótica foi um pas de deux em
que o casal de dançarinos “dançava” no ar, agarrados a peças de seda que
desciam do teto. Desenvolviam a dança evoluindo de uma tira de seda para outra,
com movimentos em todos os sentidos – ascendentes, descendentes, na horizontal
etc., sem nunca tocarem o chão. Imagino o esforço sobre-humano e o controle
absoluto das expressões faciais para transmitir ao mesmo tempo uma leveza
somente possível em gravidade zero e a lascívia/erotismo nos contatos e
nas evoluções ao redor um do outro. Havia paixão naquela interpretação única.
Fascinante.
Os concertos de Mozart que ele apresentou, qualquer um, eram para
ficar de joelhos...Muitos com interpretações não convencionais, mas primorosas.
Para completar, minha casa era a última da rua, ao lado da mata. Era eu, a
música e o silêncio. Não é contraditório...É inesquecível.
Rotenio
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