Na Serra do Navio, o Laby trabalhava no meu sector, sob as ordens directas do Estrela, , de seu nome, João Ferreira de Almeida, homónimo, senão estou em erro, do primeiro tradutor da Bíblia Sagrada para Português.
O Estrela era um excelente topógrafo, mestre-de-obras civis e metálicas, duma extraordinária dedicação ao Serviço, profissional em quem se podia confiar, O Laby , era pedreiro, carpinteiro e topa a tudo; enfim era um bom auxiliar.
De vez em quando lá andavam às turras, mas a coisa acabava por se compor.
Já todos nós trabalhando em Santana, a certa altura o Laby informou-me que estava pensando em aposentar-se e que gostaria de saber a minha opinião. Disse-lhe que isso era absolutamente normal e legítimo e que embora eu tivesse pena, compreendia a sua pretensão.
Aposentou-se, mas daí a pouco tempo,e com muita frequência, passei a vê-lo, na parte de fora da portaria.
Uma manhã chamei-o à parte e perguntei-lhe o que estava a fazer ali todos os dias. Respondeu-me que era para ver os companheiros e matar saudades.
Como sabia que ele estava abusando da cachaça e lá em casa a coisa não ia lá muito bem, perguntei-lhe porque é que não se dedicava à pesca no Amazonas, em vez de passar o tempo, de pé, na portaria. Pensou um pouco e respondeu-me que ia experimentar.
Deixei de ver o nosso amigo, mas passado algum tempo encontrei-o a vender camarão no mercado, ali mesmo em frente.
Disse-me que estava tudo "nos trinques", que estava a ganhar uns trocados, e que lá em casa estava tudo bem, mas que de vez enquando ia assistir à entrada do pessoal para o serviço da ICOMI, só para matar saudades dos bons tempos…
O DIDI
Já falei deste Companheiro, mas agora, a propósito de saudades, lembrei-me que ele depois de se aposentar, andava muito ali pelo Super Mercado " Económico" de Santana, com um aspecto um bocado abatido. Soube que não sobreviveu muito à data da sua aposentadoria.
Saudades?...
OBSERVAÇÃO _ Como já lá vão uns anos e a memória pode falhar, pode acontecer que esta estória do Didi seja confusão minha e que ele esteja vivo e de boa saúde. Oxalá.
Murta (MTA)
Novembro de 2007
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