sábado, 13 de abril de 2013

STEPHANUS O GREGO - Márcio Martins

Nunca conheci pessoa mais metódica do que o Stephanus. A pick-up que ele dirigia era impecável. Certa vez fui de carona com ele para a área industrial e o vidro da pick-up estava embassado. No que fiz um movimento com a mão para limpar o vidro, levei a maior bronca. Ele disse que ia engordurar o vidro e suja-lo e me deu um pano, impecavelmente, limpo para isso.

Não entrava no CCH nem morto. Numa das memoráveis ginkanas serranas, uma das equipes tinha que levar o grego até à comissão organizadora que estava instalada dentro do CCH . Xavecaram o grego e lá foi ele. Chegou até à porta de entrada e disse: “Aí eu não entro! Tragam a comissão até aqui.” Não teve jeito. A comissão não saiu, o grego não entrou e a equipe não cumpriu a prova.

Sempre me dei bem com ele.Tinha uma filha que morava nos EUA. Quando ele faleceu, a ICOMI cuidou de todo o processo do inventário, que resumia-se em uma poupança na CEF. O Evaristo, advogado, ficou encarregado disso. Trabalheira, documento pra lá, documento pra cá, enfim com a papelada toda reunida o Evaristo foi à CEF liberar a poupança. O funcionário olhou bem os documentos e perguntou ao Evaristo; “Cadê a certidão de nascimento dele?"

O Evaristo voltou pro escritório central pisando duro, puto da vida e redigiu uma carta ao Ministro da Desburocratização – Hélio Beltrão, relatando o absurdo do fato. Concluiu a carta dizendo, mais ou menos isso: “O Brasil é  o único país do mundo que pra provar que alguém  tinha morrido, era preciso provar que o morto tinha nascido”.

Recebeu resposta do Ministro elogiando a atitude. Conseguiu liberar a poupança.

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